03 março de 2026 Cresce número de mulheres que sofrem violência doméstica e familiar no Brasil

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher revela que 4,5 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar entre 2025 e começo de 2026.
Entre as vítimas de violência no último ano, 71% afirmaram que havia crianças presentes durante a agressão, das quais uma parcela significativa eram filhos e filhas das vítimas.
Um dado muito relevante que a pesquisa trouxe é a psicopatia, frequentemente associada ao Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS), manifesta-se em agressões físicas contra mulheres de formas frias, calculistas e instrumentais (inclusive o uso de toalhas de banho molhadas para não deixar hematomas e etc.), onde a violência é usada para controle, poder e satisfação pessoal, sem remorso ou culpa. Estudos indicam que cerca de 15% a 30% dos perpetradores de violência doméstica podem apresentar traços psicopáticos, com taxas de reincidência três vezes maiores que outros agressores.
A pesquisa mostra ainda que a violência costuma ser recorrente. Quase 6 em cada 10 mulheres relatam que as agressões ocorrem há menos de seis meses, enquanto 21% afirmam conviver com episódios há mais de um ano.
A maioria das vítimas não busca ajuda formal. O principal motivo para não denunciar é a preocupação com os filhos (17%), seguido por descrença na punição (14%) e confiança de que seria a última agressão (13%). As primeiras redes de apoio continuam sendo amigos, parentes e igreja, enquanto a procura por delegacias da mulher, delegacias comuns ou serviços como o Ligue 180 permanece reduzida, se destacando também na pesquisa o uso das redes sociais, como forma de desabafo indireto.
