14 dezembro de 2021 Fila para auxílio tem 45 mil famílias no Rio Grande do Norte

    

    A fila de espera do Auxílio Brasil no Rio Grande do Norte tem 45.531 famílias, que aguardam a inclusão no novo programa de transferência de renda do Governo Federal. O número representa a demanda reprimida do extinto Bolsa Família, composta por grupos familiares que possuem o perfil do programa, mas que ainda não tiveram os recursos liberados. Em Natal, o número é de aproximadamente 9 mil famílias. Os dados são da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas/RN) e da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas/Natal).

    Sem garantia de quando serão incluídos no Auxílio Brasil, potiguares precisam se desdobrar para conviver com o orçamento enxuto e enfrentam longas filas para atualizar os dados nos centros de assistência social. É o caso da diarista Josilene da Silva Freitas, que tem uma renda fixa de R$ 600 por mês e conta com a ajuda do filho universitário, que recebe uma bolsa de R$ 400, para fechar a receita do mês. Há uma semana ela tenta regularizar dados cadastrais no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), da Ribeira, em Natal.

    “Eu arrumei esse serviço de diarista para trabalhar duas vezes por semana, fechei com a pessoa que eu já trabalhava com ela desde antes da pandemia. Desempregada, não tive como negar. A situação é essa, não vivemos um mar de rosas, mas também não passamos tantas dificuldades como outras pessoas, que sequer têm isso. Agora é torcer para que esse auxílio dê certo para que a gente tenha uma tranquilidade maior porque a bolsa do meu filho só vai até fevereiro”, diz Josilene.

    A atualização de dados nas unidades do CRAS é obrigatória a cada dois anos, mesmo que não haja mudança de informações. “Quem precisa fazer a atualização são as famílias que não tenham atualizado seus cadastros nos últimos dois anos (cadastramento feito em 2019 ou anteriormente), mesmo que não haja mudança nas informações já cadastradas, ou aqueles que tiverem mudança em dados como composição familiar, renda, endereço”, informou a Secretaria de Assistência Social de Natal em nota.

    Josilene Freitas conta ainda que viu a renda despencar ao longo da pandemia. “A gente chegou a receber o auxílio e deu uma melhorada porque eu recebia R$ 600 e meu filho R$ 600 também, mas agora acabou e a gente está tendo essa dificuldade. Até porque eu não posso trabalhar mais, só trabalho como faxineira duas vezes por semana em uma casa só porque tenho que cuidar da minha mãe também que está doente. Se Deus quiser vai dar certo esse auxílio. Ainda bem que somos só nós dois porque senão ia ser pior”, acrescenta.

    Josilene faz parte do grupo de 291.892 famílias que ainda não atualizaram as inscrições do Cadastro Único no Rio Grande do Norte. Já as famílias atualizadas no benefício somam 392.773. Ao todo, o estado tem 684.665 famílias inscritas no Cadastro Único, o que corresponde a 1,78 milhão de potiguares, entre inscrições atualizadas e não atualizadas no sistema de catálogo informacional do Ministério da Cidadania.

    A irmã de Josilene, Josiana da Silva, também aguardava na fila para ser atendida. “Se Deus quiser vamos conseguir porque está muito difícil. Moro com meu filho e tenho que cuidar da minha mãe, que sofre de mal de Alzheimer. A nossa única renda fixa é a pensão dela, de um salário mínimo, que não dá para nada porque é tudo caro: supermercado, gás, água, luz, tudo. Se der certo esse auxílio melhoraria um pouco”, afirma dona de casa, que vive no bairro de Lagoa Azul, em Natal.

    A inscrição no Cadastro Único é um pré-requisito para ser incluído no Auxílio Brasil, mas não representa garantia de recebimento dos R$ 400. Em outras palavras, a atualização do cadastro significa que a família será incluída em uma lista de espera do programa, que deverá ser ampliado à medida que o governo angariar mais recursos no Orçamento.

    Os escolhidos todos os meses serão comunicados oficialmente pelo Ministério da Cidadania. Os pagamentos deste mês serão custeados com orçamento próprio do Ministério da Cidadania, que conta com R$ 9,3 bilhões após a sanção da Lei Nº 14.236/2021. Nesta rodada, serão contempladas cerca de 14,52 milhões de famílias de todo o país. Segundo a pasta, a expectativa é de que o programa atinja 17 milhões de famílias.

    “Com a promulgação da Emenda Constitucional Nº 113, a pasta trabalha para ampliar o número de contemplados pelo Auxílio Brasil para cerca de 17 milhões de famílias o mais breve possível. Esse total corresponde a todo o público já habilitado e outras famílias que atenderem aos critérios de elegibilidade do programa, zerando a fila de espera. O atendimento alcançará mais de 50 milhões de brasileiros ou um quarto da população”, informou a pasta em comunicado enviado à TRIBUNA DO NORTE.

Atendimento

    Em Natal, a Prefeitura abriu dois pontos exclusivos do Cadastro Único nos bairros da Ribeira (zona Leste) e Igapó (zona Norte) para atualizar os dados cadastrais das pessoas que aguardam serem incluídas no programa do Governo Federal. Os interessados devem fazer o agendamento presencialmente ou por telefone, sempre às sextas-feiras, para atendimento na semana seguinte. Além disso, os atendimentos podem ser feitos outras 12 unidades do CRAS.

    “O município continua realizando ações para que os cadastros que precisam de atualizações sejam feitos e para que as pessoas que buscam serem inseridas sejam atendidas. Para diminuir as filas e desafogar as unidades, a Semtas está realizando mutirões nas unidades aos sábados e na semana com a Unidade Móvel do Cadastro Único. Os mutirões são uma forma de facilitar a atualização de dados e também o esclarecimento de dúvidas”, disse a pasta em resposta à reportagem da TN.

    A Secretaria de Estado de Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas) comunicou que não há previsão para que todos os potiguares, com perfil do Auxílio Brasil, sejam regularizados e beneficiados com o novo programa. Com relação aos procedimentos utilizados para agilizar a regularização dos cadastros, a pasta declarou que os municípios têm total autonomia para ampliar número de locais de atendimento, estender horários ou fazer mutirões.

TRIBUNA DO NORTE

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