17 março de 2026 Fátima Bezerra desiste de disputar o Senado e não vai mais renunciar ao governo

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), desistiu de ser candidata ao Senado e vai permanecer no mandato até o fim (5 de janeiro de 2027). A informação foi confirmada por O CORREIO DE HOJE na manhã desta terça-feira 17 junto a fontes ligadas à governadora. Por lei, a governadora teria de deixar o cargo até 4 de abril para ficar apta à disputa eleitoral de outubro.

O anúncio oficial do plano eleitoral deve acontecer nas próximas horas. A expectativa é que uma coletiva de imprensa seja convocada para detalhar a tática eleitoral do PT para 2026.

Segundo apurou a reportagem, Fátima tomou a decisão após conversar nesta segunda-feira 16 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Os diálogos aconteceram em Brasília. A governadora já retornou a Natal.

Uma fonte a par das conversas relatou que Lula pediu a Fátima que ficasse no mandato diante do risco de o PT não conseguir eleger o sucessor em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa — que aconteceria se fosse confirmada também a renúncia do vice-governador Walter Alves (MDB), que é pré-candidato a deputado estadual.

O PT contabiliza atualmente o apoio de apenas 8 deputados estaduais na Assembleia, enquanto seriam necessários 13 votos para eleger um governador e um vice-governador para um mandato tampão. Ao todo, a Assembleia Legislativa potiguar tem 24 deputados estaduais.

Lula teria dito a Fátima que, como compensação, acolherá a governadora em um eventual quarto mandato presidencial, a partir de janeiro de 2027. Neste caso, Fátima poderia virar ministra — foi citada a possibilidade de ela assumir a pasta da Integração e Desenvolvimento Regional, que é responsável por obras de segurança hídrica.

Além de pedir que a governadora permanecesse no cargo, Lula solicitou à governadora que concentrasse esforços na candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), ao Governo do Estado no pleito de 4 de outubro. Ficou definido, durante a reunião, que a candidatura será considerada uma prioridade para o PT nacional.

Além disso, o presidente citou como prioridade a ampliação das bancadas do PT na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Atualmente, o partido tem 2 deputados federais (Fernando Mineiro e Natália Bonavides) e 3 deputados estaduais (Divaneide Basílio, Francisco do PT e Isolda Dantas).

Sobre a disputa para o Senado, a reunião entre Lula e Fátima definiu que o PT terá uma candidata mulher. Sem Fátima, foram citados como alternativas os nomes das vereadoras de Natal Samanda Alves e Thabatta Pimenta e também da deputada federal Natália Bonavides. A deputada tem reiterado que será candidata à reeleição, mas o PT tentará convencê-la a concorrer ao Senado.

Trajetória política

Fátima Bezerra tem 70 anos de idade e nasceu em Nova Palmeira, município paraibano que fica na divisa com o Rio Grande do Norte. Filiada ao PT desde 1981, ela é pedagoga e ganhou projeção política pela atuação no Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), no início da década de 1990.

Em 1994, ela foi eleita deputada estadual, sendo reeleita em 1998. Em 2002, foi candidata a deputada federal e foi eleita com a maior votação do Estado. Foi reeleita para a Câmara dos Deputados em 2006 e 2010. Em 2014, foi eleita senadora pelo Rio Grande do Norte. Quatro anos depois, ela renunciou ao mandato para disputar o Governo do Estado e foi eleita no 2º turno. Em 2022, foi reeleita no 1º turno.

Prioridade do PT

Nas últimas semanas, Fátima Bezerra vinha reafirmando que seria candidata ao Senado por um desejo de Lula. Segundo a governadora, a candidatura faria parte de um projeto nacional da esquerda para fazer frente ao bolsonarismo no Congresso Nacional e para dar sustentabilidade a um eventual 4º mandato de Lula.

“Há o desejo não só do presidente Lula, não só do PT nacional, mas das forças no campo democrático popular que eu disponibilize o meu nome para o Senado. Porque a eleição eleitoral se tornou muito estratégica, principalmente o Senado. Disputar o Senado hoje significa, primeiro, reafirmar o nosso compromisso com os interesses do Estado, mas também o nosso compromisso com a estrutura democrática, com a defesa da democracia”, afirmou Fátima Bezerra em entrevista à TV Band RN.

FONTE: Agora RN

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